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O Vinhos e a Saúde

Desde as origens da humanidade civilizada o vinho se faz presente e não somente como bebida ou acompanhamento alimentar, mas também por suas virtudes medicinais.

Os Egípcios, os Gregos e os Romanos fizeram do vinho um elemento básico em sua farmacopéia. Possivelmente por se tratar de um líquido estável, graças a presença de álcool e de ácidos orgânicos. Esta tradição foi reconhecida pelos alquimistas medievais.

Em Março de 1988, durante 3 dias, médicos, pesquisadores e enólogos procedentes de vários países europeus e americanos, reuniram-se na cidade de Mendoza - Argentina, para debater o tema “O Vinho e A Saúde”.
A relação entre o vinho e o alcoolismo que se procurou estabelecer não se manteve em pé por muito tempo. A tese ruiu quando se começou a demostrar estatisticamente o baixo índice de alcoolismo nas regiões vitivinícolas ou nos países tradicionalmente consumidores de vinhos. Por outro lado, pesquisas médicas já realizadas e outras que estão sendo desenvolvidas, permitem atribuir ao bom vinho, evidentes propriedades nutricionais e de medicina preventiva. Ele combate as enfermidades cardiovasculares e colesterol, tem comprovada ação bactericida e antiviral, estimula o apetite, facilita a digestão e retarda o envelhecimento celular e orgânico, além de ter efeito diurético.

Segundo a Equipe de Pesquisa da Faculdade de Química da PUC-RS, que está pesquisando o resveratrol nos vinhos gaúchos, os principais benefícios do vinho seriam:

  - Aumenta a resistência das fibras colágenas, exercendo efeito protetor sobre as paredes dos vasos   sanguíneos;
- Dissipa as plaquetas que provocam coágulos e entopem as artérias;
- Inibe a formação de radicais livres, reduzindo a oxidação dos lipídios que diminuem as placas de   orteriosclerose
- Impede a destruição dos linfócitos preservando o sistema imunológico;
- Favorece funções digestivas e aumenta o apetite;
- Contém substâncias que retardam o envelhecimento celular e orgânico.



Segundo Jack Masquelier, professor emérito da Faculdade de Medicina e Farmácia da Universidade de Bordeaux II. - França, o vinho realmente deveria ser usado na Medicina Preventiva, sobretudo nas enfermidades cardiovasculares. Ressalta ainda que ao reduzir o número de linfócitos, o álcool reduz o sistema imunológico. O vinho no entanto, contém substâncias próprias que fazem com que ele não seja tóxico e que impede a destruição dos linfócitos. Cita que, em laboratório, foi comprovado o efeito junto aos Radicais Livres, das procianidinas do vinho, razão pela qual se pode afirmar que o vinho possui substâncias que retardam o envelhecimento celular e orgânico. Ademais as procianidinas, exercem seu efeito protetor sobre o endotélio vascular, aumentando a resistência das fibras colágenas.

Rane Monasterski, Ph.D. pelo Hospital Mt. Sinai, Los Angeles, especialista em cardiologia no Hospital Argerich , Buenos Aires, afirma que o consumo moderado de vinho exerce ação favorável sobre as funções digestivas. Também, tem função preventiva das enfermidades arterioscleróticas ligadas à proteção das paredes vasculares. O vinho, além disso, não exerce comprovada ação hipertensiva e pode ser incluído, em doses moderadas, na dieta dos pacientes hipertensos. Sabe-se também que o vinho modifica a composição hemática, aumentando os elementos do sangue. Acredita que um ou dois copos diários podem ser recomendados na manutenção da boa saúde. No que diz respeito aos diabéticos, sobretudo insulínicos dependentes, não deveria consumir álcool ou então fazê-lo com muita moderação. O problema não é a quantidade de glicídeos redutores que o vinho possa conter e sim o aumento de glicogênese hepática, que pode proporcionar um aumento do índice de colesterol e triglicerídeos nos diabéticos.


Os principais médicos e pesquisadores presentes em Mendonza foram os seguintes:

  Jack Masquelier - Prof. Emérito da Faculdade de Medicina e Farmácia da Universidade de Bordeaux II. - França;

 Francisco Jimenez Pasqua - Diretor do Sanatório de Nutrição Gimenes Gracia em Madrid - Espanha;

  Mário Castino - Prof. do Instituto Sperimental por L’Enologia em Asti, Itália;
Raul Monasterski - Especialista em Cardilogia, Argentina;



RESVERATROL

Entre os compostos do vinho que possuem características benéficas, está o resveratrol. Trata-se de um composto fenólico, de atividade fungicida, produzido pela videira em resposta à agressão do fungo Botrytis cinerea. Isto quer dizer que a natureza, através da videira, encarrega-se de criar o próprio antibiótico.
Esta substância concentra-se nas células da película da uva, por isso seu teor é maior nos vinho tintos. Este composto fenólico, uma fitoalexina trans - 3,5,4 - trihidroxistibeno, age como uma substância antioxidante. Outras substâncias como as catequinas, epicatequinas, ácido gálico, malvidina, ácido caféico, miricetina, quercitina e ácido Sinápico, também são antioxidantes encontrados na vinho.

Esta fitoalexina diminui os níveis de lipídios no soro e a agregação plaquetária, aumentando a fração de Colesterol HDL, que ajuda a remover o Colesterol LDL do sangue e a prevenir a obstrução das artérias. A estrutura molecular do resveratrol é similar à estrutura de um estrogênio sintético, o dietilestirestrol; portanto o resveratrol tem propriedades farmacológicas similares às do estradiol, principal estrogênio humano natural, caracterizando-se como um estrogênio.

As propriedades estrogênicas do resveratrol desenvolvem um papel importante nos efeitos cardiovasculares, através do consumo moderado de vinho tinto. Muitas pesquisas aconselham adicionar às dietas das pessoas o resveratrol, devido as suas propriedades anticarcinogênica e antiesclerótica. O resveratrol produz uma maior manifestação de alguns genes reguladores do estrogênio do que o estradiol, que pode levar ao desenvolvimento de novas drogas estrogênicas mais seletivas. Os estrogênios seletivos disponíveis são usados no tratamento do câncer de mama (Tamoxifeno) e da osteoporose pós menopáusica (Reloxifeno).
O corpo humano contém ácidos graxos polinsaturados, os quais são os principais componentes das lipoproteínas de baixa densidade do sangue.

As LDL são transportadoras do colesterol, que é um dos principais constituintes das paredes celulares. A oxidação dos lipídios LDL interrompem a função de transporte e os produtos desta oxidação ocasionam vários problemas. Entre eles, o deslocamento da parede celular interna dos vasos sanguíneos. Esta lesão ocasiona um acúmulo de células, e caso o processo oxidativo tenha continuidade, ocorre a degeneração e formação de placas, as quais são sintomas de arteriosclerose. Os principais tratamentos clínicos procuram uma redução dos teores de LDL no sangue, o que reduz as chances de ocorrência de problemas cardiovasculares. Outra alternativa buscada pela medicina é a interferência no processo oxidativo através de dietas ricas em antioxidantes. É nesta ação que os compostos fenólicos naturais da uva, preservados no vinho, podem ser responsáveis pela ação antioxidante de proteção das doenças cardiovasculares e do câncer, por intermédio de diversos mecanismos. Entre eles podem ser citados a captura direta de radicais livres, reução da atividade enzimática oxidativa e a redução da concentração de lipídios peroxidásicos no plasma sanguíneo.
Estudos recente concluem que as moléculas antioxidantes provenientes da uva, podem ser reencontradas no plasma sangüíneo após o consumo moderado de vinho, e serem responsáveis por uma proteção antioxidante significativa na prevenção de doenças cardiovasculares e do câncer.

O resveratrol é conhecido há muito tempo na terapêutica medicinal, sendo utilizado pelos Chineses e Japoneses para o tratamento da arteriosclerose, de doenças inflamatórias e alérgicas. Suas características polifenólicas permitem explicar sua atividades anti-agregantes plaquetária, anti-oxidantes, além da particularidade de possuir ação redutora de triglicerídeos.

Em 1995, pesquisadores franceses e americanos provaram que a absorção de catequinas no sangue humano, ocorre efetivamente após o consumo de vinho tinto.

O estudo das equipes de Clínica e Geriatria da PUC-RS, analisa a presença e a quantidade do resveratrol em vinhos brasileiros. Esta pesquisa é inédita, pois os vinhos brasileiros nunca foram analisados quanto a presença e quantidades dessa substância, e está se desenvolvendo com habitantes de Veranópolis, na Serra Gaúcha, chamada a “Capital da Saúde e da Longevidade”, lá a expectativa de vida é de 77,7 anos, enquanto que a média no Brasil é de 67,6 anos. Além disso os registros de morte por doenças do coração são os menores do país. O município é considerado modelo de longevidade pela Organização Mundial da Saúde. A pesquisa vai medir a quantidade de resveratrol da uva e do vinho, e comparar com a quantidade encontrada no sangue dos moradores.

A revista “Isto É” de 07 de Abril de 1999, publica uma matéria onde revela que os produtores de vinho do Napa Valley, na Califórnia, comemoram a permissão dada pelo governo americano para que o vinho tinto lá produzido traga nos rótulos a afirmação : “Um à dois copos de vinho por dia fazem bem a saúde”.

 

 

Confira o artigo "Vinho e Saúde: o estado da arte", do
Dr. Jairo Monson, médico especialista em clínica médica.

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